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Tabor da Esperança

Heróis de Schoenstatt

Bárbara Kast – Juventude consagrada à Mãe de Deus

Bárbara Kast nasceu em 24 de julho de 1950, na Alemanha, e emigrou com sua família para o Chile ainda bebê. Criada em um ambiente de dificuldades econômicas, cresceu em meio a uma família numerosa e profundamente unida. Desde cedo demonstrou responsabilidade, sensibilidade e forte ligação com os pais e irmãos.

Aos 16 anos, ingressou no Colégio Mariano, das Irmãs de Maria de Schoenstatt, marcando o início de seu caminho dentro do Movimento Apostólico de Schoenstatt. Seu amadurecimento pessoal e espiritual foi notável: passou de uma jovem dedicada aos estudos a uma líder compassiva, confidente de suas colegas e modelo de serviço desinteressado. Trabalhou com afinco nos verões ajudando seu pai, além de assumir responsabilidades com os irmãos mais novos.

Em 1967, ingressou formalmente no Movimento, após uma reflexão profunda. No ano seguinte, participou intensamente das atividades schoenstattianas e preparou-se para selar sua Aliança de Amor, o que fez em 8 de dezembro de 1968, no Santuário de Bellavista.

Três semanas após essa consagração, faleceu tragicamente em um acidente de carro, aos 18 anos. Seu corpo foi levado ao Santuário de Bellavista, onde permanece como símbolo de entrega e fidelidade. Bárbara Kast viveu uma vida breve, mas profundamente marcada por amor, fé e doação. Seu testemunho mostra que a santidade pode ser alcançada na simplicidade da vida cotidiana, quando vivida com autenticidade e ardor apostólico.

Beato Pe. Carlos Leisner

Ideal Pessoal: “Cristo é minha paixão”
Data de Nascimento: 28/02/1915
Data de Falecimento: 12/08/1945

 

Pe. Carlos Leisner nasceu em 28 de fevereiro de 1915, em Rees, Alemanha. Foi o primeiro membro do Movimento de Schoenstatt a ser beatificado, destacando-se desde cedo como uma liderança forte e autêntica na Juventude Masculina de Schoenstatt na Diocese de Münster. Sua personalidade e atuação incomodaram o governo nazista, que o via como um obstáculo para a disseminação de suas ideologias.

Em 1939, foi obrigado a servir no exército de Hitler, onde contraiu tuberculose agravada pelas condições adversas. Posteriormente, foi enviado ao campo de concentração de Dachau, onde viveu a Aliança de Amor com intensa fé, mesmo em meio às dificuldades. Em um momento histórico único, foi ordenado sacerdote clandestinamente em 17 de dezembro de 1944, dentro do campo, tendo celebrado sua primeira e única missa poucos dias depois.

Sua saúde debilitada levou à libertação em maio de 1945, mas ele faleceu em 12 de agosto do mesmo ano. A última frase de seu diário revela sua grandeza espiritual: “Abençoai, oh Senhor, também os meus inimigos!”

Beatificado pelo Papa João Paulo II em 23 de junho de 1996, Pe. Carlos Leisner foi lembrado como exemplo vivo de amor e proximidade com Cristo. Em suas palavras, “Cristo é a Vida: esta era a convicção para a qual Carlos Leisner viveu e para a qual ele finalmente morreu.” O Papa Bento XVI também o citou em sua visita à Alemanha em 2011, destacando sua fé e fruto espiritual.

 

A frase do Pe. José Kentenich que marcou sua vida — “Mater habebit curam” (“A Mãe celeste vai cuidar”) — simboliza a confiança profunda de Leisner na intercessão da Mãe de Deus. Seu exemplo permanece inspiração para muitos, especialmente para aqueles perseguidos por sua fé. Seus restos mortais repousam na cripta da cidade de Xanten, Alemanha.

Francisco Ziober

Ideal Pessoal: Servir a Maria

Data de Nascimento: 09/03/1934

Data de Falecimento: 27/09/1964

 

Francisco Ziober nasceu em 9 de março de 1934, em Gália/SP, e faleceu em 27 de setembro de 1964. Ainda criança, mudou-se com a família para Londrina/PR, onde, aos 27 anos, casou-se. Pouco tempo após o casamento, foi diagnosticado com leucemia, mas manteve-se firme na fé e no desejo de realizar sua missão.

Em 1962, durante uma visita ao Santuário de Schoenstatt em Londrina, Francisco encontrou uma profunda conexão espiritual que o levou a ingressar na Liga de Famílias de Schoenstatt, tornando-se líder estimado e dirigente do grupo. Seu Ideal Pessoal, “SERVIR A MARIA!”, refletia seu comprometimento em preparar os corações para as graças divinas, como um arado que prepara a terra.

Francisco aspirava à santidade como meio de glorificar a Deus e salvar almas, conduzindo seu grupo à Aliança de Amor em 18 de outubro de 1964. Contudo, ele próprio ofereceu sua vida como holocausto pelo Movimento Apostólico de Schoenstatt poucos dias antes, em 27 de setembro, com plena consciência e entrega total.

 

Sua vida expressou profunda fidelidade à Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt, à qual se entregou na escola do Santuário, e ao Fundador, a quem amou como filho dedicado. Sua última atitude diante da morte revelou sua essência: “Nada sem ti, Mãe, mas também nada sem nós, teus instrumentos”. Francisco Ziober permanece como exemplo de entrega e serviço total à missão de Schoenstatt.

Frederico Esser

Ideal Pessoal: Ser um outro Cristo

Data de Nascimento: 20/11/1900

Data de Falecimento: 18/01/1924

 

Fritz Esser foi um dos primeiros heróis da geração inicial do Movimento de Schoenstatt. Nascido em Dorn Dürkheim, Rheinhessen, Esser era conhecido por seu temperamento alegre e simpático, embora enfrentasse dificuldades nos estudos, frequentemente precisando da ajuda dos colegas para ser aprovado. Apesar dessas limitações, sua dedicação e esforço o tornaram querido por todos ao seu redor.

Sua vida foi marcada pela profunda entrega ao Santuário Original de Schoenstatt, onde atuou como sacristão e se destacou pela criatividade e zelo. Entre suas contribuições mais conhecidas está a criação da moldura luminosa com a frase em latim “Servus Mariae Nunquam Peribit” (“Um servo de Maria, jamais perecerá”), símbolo de sua fé e confiança na Mãe de Deus.

Fritz enfrentou períodos de queda e recomeço em sua caminhada espiritual, sempre buscando orientação e reparação. Seu ideal pessoal era claro e firme: “Ser um outro Cristo”. Mesmo nos anos finais, quando sua saúde se deteriorou gravemente, manteve sua missão apostólica ativa, dedicando seu sofrimento e esforços pela consolidação do Movimento Apostólico de Schoenstatt.

 
 

Em suas próprias palavras, ele reconhecia suas limitações com humildade: “Sou dez vezes mais estúpido do que pareço”. Contudo, reafirmava sua fidelidade: “Diga a eles que permaneço fiel até a morte!”

A trajetória de Fritz Esser inspira pela simplicidade, entrega e pela fé inabalável em Maria, cuja intercessão ele confiava plenamente, conforme as palavras do seu diretor espiritual, Pe. José Kentenich, que o exortava a permanecer como “um filho despreocupado nas mãos de nossa Mãe celestial”.

Seus restos mortais foram transferidos em 1995 para o Centro de Schoenstatt em Weiskirchen, onde repousam ao lado de outros importantes colaboradores do movimento, perpetuando sua memória e legado.

Fritz Kühr

Ideal Pessoal: Servo do Criador e filho do Pai, como instrumento voluntário e humilde de Cristo, nas mãos de Maria

Data de Nascimento: 14/12/1895

Data de Falecimento: 27/10/1950

 

Dr. Friedrich Kühr nasceu em 14 de dezembro de 1895 em Gotha, Turíngia, Alemanha, e faleceu em 27 de outubro de 1950 em Rolândia, Paraná, Brasil. Formado em Direito, Economia e teologia, aplicava com sabedoria seus conhecimentos na vida prática, ganhando respeito no meio político e econômico.

Casou-se com Helene Keespe em 1922, mas não tiveram filhos. Em 1938, devido à sua atuação político-social no partido do Centro, foi preso e enviado ao campo de concentração de Dachau, onde permaneceu por quase cinco anos e meio. Lá, manteve sua dignidade e fé, ajudando muitos necessitados e conheceu o Pe. José Kentenich, cuja visão sobre a formação do homem novo o inspirou profundamente.

Em 16 de julho de 1942, no meio das adversidades de Dachau, fez sua consagração a Maria e tornou-se o primeiro noviço do Instituto de Famílias de Schoenstatt, dedicando-se à fundação e missão do movimento.

Em 1947, reencontrou sua esposa no Brasil e permaneceu ao seu lado até sua morte. O Pe. Kentenich, em visita ao Brasil, o orientou e reconheceu sua entrega consciente, especialmente ao oferecer seu sofrimento e morte pela missão abraçada em sua consagração.

Seus restos mortais, junto aos de sua esposa, estão no Monumento dos Heróis ao lado do Santuário da Esmagadora da Serpente, em Londrina.

Dr. Kühr aconselhava:
“O ser e a vida religiosa não podem ser conservados e desenvolvidos sem alimento contínuo e ambiente adequado, do mesmo modo que a vida corporal… considero indispensável fazer diariamente ao menos 15 minutos de leitura religiosa.”

E também alertava:
“Quem cresce em coisas deste mundo, mas negligencia a formação religiosa e espiritual é comparável a um homem cujo coração permanece pequeno e fenece, enquanto o resto do corpo cresce.”

 
 

 

Em carta de 1950, diante da doença incurável, escreveu:
“Consagrei, mais uma vez, minha vida inteiramente e sem reservas à Mãe Três Vezes Admirável… Se meu sofrimento e minha morte contribuírem mais para a Obra do que minha vida, eu lha dou.”

O Pe. Kentenich respondeu em 18 de agosto de 1950, agradecendo sua fidelidade e afirmando que seu sacrifício era mais fecundo que sua própria atividade pessoal.

Em 1967, o Pe. Kentenich afirmou:
“A missão que o Dr. Kühr assumiu é muito vasta. Exige um profundo espírito sacrifical e o holocausto de si mesmo.”

No Congresso Internacional em Londrina, o Pe. Johannes Tick lembrou:
“Devemos fazer na vida o que o Dr. Kühr não pode realizar e, na morte, fazer o que ele fez: consagrar e entregar a vida à Mãe e seu Divino Filho, por Schoenstatt.”

 

Gertraud von Bullion

Ideal Pessoal: “Serviam – Eu quero servir!”

Data de Nascimento: 11/09/1891
Data de Falecimento: 11/06/1930

 

Condessa Gertraud von Bullion, nascida em uma família nobre da Baviera, foi uma das primeiras mulheres a ingressar no Movimento Apostólico de Schoenstatt, abrindo caminho para a participação feminina em sua missão e espiritualidade. Desde jovem, sentiu-se atraída por uma vida de fé ativa e serviço ao próximo, desejo que se concretizou de maneira decisiva durante a Primeira Guerra Mundial.

Em 1917, enquanto atuava como enfermeira da Cruz Vermelha em um hospital militar, Gertraud viveu um momento aparentemente comum que marcaria profundamente sua vida. Após uma oração solitária em uma pequena sala lateral, conheceu o Irmão Franz Salzhuber, por meio de quem tomou conhecimento da União Apostólica de Schoenstatt. O que parecia ser uma conversa despretensiosa revelou-se um divisor de águas: a jovem aristocrata encontrou no espírito da União — um grupo de leigos que buscava viver a fé de forma autêntica no cotidiano — o ideal que ressoava com suas inquietações mais profundas.

Ao término da guerra, Gertraud procurou pessoalmente o fundador do Movimento de Schoenstatt, Pe. José Kentenich, para solicitar a inclusão de mulheres na União Apostólica. A resposta não foi imediata. O grupo era composto predominantemente por teólogos, e a presença feminina era algo então considerado impraticável. No entanto, sua determinação, movida por um desejo sincero de servir a Deus e à humanidade, levou-a a persistir.

Foi assim que, em 8 de dezembro de 1920, Gertraud von Bullion, juntamente com sua prima Mariele Christmann, selou sua Aliança de Amor com Maria, tornando-se, com essa consagração, uma das duas primeiras mulheres a ingressar oficialmente na União Apostólica de Schoenstatt. Esse gesto ousado teve profundas consequências: em 1921, celebrou-se a primeira Jornada de Mulheres em Schoenstatt, marco da inserção feminina no carisma do Movimento.

 

 
 

Em carta escrita na véspera de sua consagração, ela expressou a profundidade espiritual de sua entrega:
“Jesus, meu Rei, eu Te ofereço todo o meu coração, reina nele completamente e para sempre, mas também quero usar todas as minhas forças, todo o meu ser, como um instrumento da Tua Santa Mãe, para que também Tu possas reinar como Rei em todos os corações do universo!”

Gertraud viveu intensamente o lema de sua família nobre — “SERVIAM” (“eu quero servir”) — não apenas como herança aristocrática, mas como convicção pessoal profunda. O serviço aos outros foi o fio condutor de sua vida: cuidava dos pobres e dos doentes, fazia brinquedos com materiais simples para crianças carentes, ajudava a família com dedicação e atuava espiritualmente entre os soldados e enfermeiras no hospital militar. Sua fé era encarnada no cotidiano, humilde, incansável, sem vaidades.

Faleceu jovem, aos 38 anos, em 11 de junho de 1930, mas deixou um legado espiritual duradouro. Sua coragem, amor à Igreja, fidelidade a Maria e espírito de serviço continuam sendo referência para mulheres consagradas e leigas no Movimento de Schoenstatt em todo o mundo.

Hans Wormer

Ideal Pessoal: “Ou tudo, ou nada – Ou Cristo, ou nada.”

Nascimento: 6 de outubro de 1898, Heidelberg, Alemanha

Falecimento: 15 de julho de 1917, Veslud, França

Hans Wormer nasceu em Heidelberg, em 1898, e destacou-se desde cedo por sua inteligência, eloquência e rápida capacidade de aprendizado. Companheiro de classe de José Engling no seminário palotino, sua vida foi marcada por uma profunda transformação espiritual. Desejava inicialmente tornar-se arquiteto, mas, segundo o Pe. José Kentenich, seu olhar voltou-se para algo mais elevado: “Em determinado momento passou por uma mudança espiritual na sua vida. Desde esse momento já não eram igrejas que ele queria construir; a sua ambição tornou-se construir a Igreja espiritualmente”.

A partir desse despertar interior, Hans decidiu consagrar sua vida à construção da Igreja e da missão de Schoenstatt. Recrutado para o exército durante a Primeira Guerra Mundial, ofereceu-se totalmente a Deus como instrumento nas mãos da Mãe Três Vezes Admirável.

Em 14 de junho de 1917, escreveu à sua família: “Se chegar a notícia de que morri em combate, não fiquem demasiado tristes. Terá sido a vontade de Deus e eu terei cumprido o meu dever. O meu lema é ‘Aut Caesar aut nihil’ (Ou tudo, ou nada). Tenho de colocá-lo em prática.” Um mês depois, em 15 de julho de 1917, foi morto heroicamente em combate, perto de Veslud, na França.

Hans Wormer tornou-se símbolo da radicalidade evangélica vivida com coerência no cotidiano. O Pe. Kentenich o descreveu como um jovem que procurava aplicar os princípios cristãos nas situações concretas do dia a dia: “Para aplicar o princípio tenho que me esforçar para ser: o mais piedoso na oração, o mais alegre no recreio, o mais aplicado no estudo”.

 
 

Seu exemplo inspirou gerações. À Juventude Feminina de Schoenstatt no Brasil, o Fundador recomendou: “Fora com toda a mediocridade! Ou tudo ou nada! No estudo a mais aplicada, no recreio a mais alegre, no diálogo com o bom Deus a mais piedosa!” A Juventude Masculina também assumiu esse espírito, afirmando em 2017: “Para o Jumas não existe o nada, por isso assumimos o Tudo na vivência dos nossos ideais. Inspirados pela radicalidade dos nossos heróis, assumimos o Tudo que para nós é o Cristo”.

Em homenagem à sua entrega, uma cruz negra com seu nome foi colocada junto ao Santuário Original de Schoenstatt, no chamado Monumento dos Heróis, ao lado de José Engling, Max Brunner, Pe. Franz Reinisch e Pe. Albert Eise. Seus restos mortais foram transladados para Schoenstatt em 1934. Na urna, lê-se seu ideal: “Aut Caesar aut nihil”.

Ir. M. Emanuele Seyfried

Irmã M. Emanuele (Elizabeth Seyfried)
Ideal Pessoal “Filha e reflexo do Pai e da Mãe”

Nascimento: 19 de abril de 1905, Rottweil, Alemanha
Falecimento: 4 de março de 1973, Schoenstatt, Alemanha

 

Batizada como Elizabeth Seyfried, Irmã M. Emanuele nasceu em Rottweil, no sul da Alemanha. Em 1º de julho de 1932, ingressou no Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt. Três anos depois, em 12 de maio de 1935, recebeu das mãos do Pe. José Kentenich a cruz missionária e, dias depois, partiu rumo ao Brasil, assumindo a missão com generosa disposição.

Chegou ao país em junho de 1935, estabelecendo-se inicialmente em Jacarezinho/PR, enfrentando grandes desafios: desde a barreira do idioma até condições extremamente precárias de vida. Com espírito apostólico e dedicação incansável, foi uma das fundadoras do Colégio Mãe de Deus, em Londrina, onde lecionava português antes mesmo de dominar a língua. Nessa época, a cidade ainda era um pequeno povoado em meio à mata virgem.

Em 1945, com a transferência da sede do Instituto para Santa Maria/RS, Ir. M. Emanuele passou a residir ali, assumindo a formação da primeira geração brasileira de Irmãs como mestra do noviciado e terciado. Seu talento pedagógico e sua maternidade espiritual marcaram profundamente a Obra nascente.Em 18 de março de 1947, teve início uma fase de especial graça: a convivência direta com o Pe. José Kentenich em Santa Maria.

Nesses anos de proximidade com o Fundador, recebeu orientação e formação intensas. Foi ela quem sugeriu o nome “Tabor” como ideal da Província Brasileira — nome que, em 1984, se tornaria o ideal da Família de Schoenstatt no Brasil.

 

Durante o exílio do Fundador, Irmã M. Emanuele tornou-se um ponto de referência decisivo para a Obra de Schoenstatt no Brasil e na América Latina. Mantinha viva a fidelidade ao carisma original e à pessoa do Fundador. O próprio Pe. Kentenich reconhecia seu valor e sua influência positiva: ela era fonte de segurança e clareza para muitos.

Com o fim do exílio, iniciou-se uma nova etapa. Em 1967, após 32 anos no Brasil, retornou à Alemanha para participar do Capítulo Geral das Irmãs de Maria. Sua personalidade forte, porém profundamente espiritual, conquistou unanimemente as capitulares, que a elegeram Superiora Geral do Instituto.

 

Durante seu breve governo geral, enfrentou grandes provações: a morte do Pe. Kentenich em 1968 e, logo depois, uma grave enfermidade. Viveu essa fase com heroísmo filial, entrega sem reservas e profundo desprendimento. Em 4 de março de 1973, faleceu em Schoenstatt, consagrada plenamente ao ideal que a guiou por toda a vida: ser “filha e reflexo do Pai e da Mãe”.

Sua vida permanece como intercessora e modelo de fidelidade à missão e ao carisma do Fundador, irradiando espiritualidade e firmeza para toda a Família de Schoenstatt.

 

Ir. M. Emilie Engel

Irmã M. Emilie Engel
Ideal Pessoal: “Sim, Pai!”

Nascimento: 6 de fevereiro de 1893, Husten, Kreiss Alpe, Alemanha
Falecimento: 20 de novembro de 1955, Metternich, Alemanha

Irmã M. Emilie Engel nasceu no dia 6 de fevereiro de 1893, em Husten, na região de Kreiss Alpe, Alemanha. Desde jovem demonstrou grande gosto pelos estudos e era aplicada. Em 1914, formou-se professora, profissão que exerceu com zelo e vocação.

Sua ligação com Schoenstatt teve início em 1921, ao participar da primeira jornada de mulheres no local. Em 14 de abril de 1925, entregou-se à Mãe de Deus com uma consagração total. No ano seguinte, em 1º de outubro de 1926, tornou-se cofundadora do Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt.

De 1929 a 1935, mesmo já acometida pela tuberculose desde 1931, assumiu a missão de mestra de noviças com firmeza e dedicação. De 1941 a 1946 viveu na Casa Mãe, em Schoenstatt, e entre 1946 e 1955 exerceu o cargo de Superiora Provincial em Metternich.

Em 1953, foi atingida por uma paralisia progressiva que a levou à imobilidade e à dependência de uma cadeira de rodas, até seu falecimento em 20 de novembro de 1955, na Casa Provincial.

O próprio Pe. José Kentenich, fundador de Schoenstatt, a definiu de forma marcante:
“Ir. Emilie foi uma filha da Divina Providência dos pés à cabeça.”

Seu processo de beatificação foi rapidamente acolhido pela Diocese de Treves e enviado a Roma, onde os especialistas reconheceram sua vivência heroica das virtudes cristãs. Em 10 de maio de 2012, o Papa Bento XVI autorizou a proclamação de suas virtudes heroicas, declarando-a Venerável. Aguarda-se agora a comprovação de um milagre para sua beatificação.

 
 

 

As palavras de Ir. M. Emilie revelam uma alma profundamente unida a Deus e marcada pela entrega absoluta à Sua vontade:

“Seja louvada a Divina Providência em minha vida. Glorificadas sejam as misericórdias de Deus e da Mãe de Deus. Por toda a eternidade, quero cantar um hino de louvor ao amor misericordioso do Pai e da Mãe – ser um holocausto de louvor à misericórdia.”

“Eu sei que tu és meu bom Pai. Vemos o olhar do Pai repousar sobre nós, com indizível amor. Sim, ele nos ‘persegue’ a cada momento, para nos proteger e nos fazer o bem.”

“Muitas vezes o bom Deus é insondável em sua direção e permissão. Deve ser o suficiente para nós: Ele é o amor, a bondade, e sempre sabe o que é melhor para nossa salvação.”

“Se eu me consagrar sem reservas à nossa Mãe de Schoenstatt, então, com certeza, ela me usará como instrumento, mesmo que exteriormente eu precise ficar inativa.”

“Que o sagrado fogo do verdadeiro e profundo amor a Cristo arda em todos os corações e reluza em todos os olhos, para que sejamos para todos, aos quais podemos servir, portadoras de Cristo, assim como corresponde a nossa missão para o tempo atual.”

“Não devemos passar pelas aflições atuais, de modo indiferente e superficial. Quanto mais claramente compreendermos o tempo, tanto mais forte será a saudade em nós… tanto mais se inflama o nosso zelo de colaborar com tudo o que é possível para uma santa primavera de Deus.”

“Cheguei em Schoenstatt para amar.”

Irmã M. Emilie é hoje modelo de confiança absoluta na Divina Providência, de humildade perseverante e de santidade escondida no cotidiano. Sua vida permanece como testemunho silencioso, mas poderoso, da força que nasce do “Sim, Pai!”

João Luiz Pozzobon

João Luiz Pozzobon – Servo fiel da Mãe Peregrina

João Luiz Pozzobon nasceu em 12 de dezembro de 1904 e destacou-se desde cedo por sua profunda piedade e disposição para o serviço cristão. Após breve passagem pelo seminário, retornou à vida leiga por questões familiares e de saúde, sendo assim preparado para a missão que o tornaria conhecido mundialmente: a fundação da Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt.

Em 1947, teve contato com a espiritualidade de Schoenstatt e desenvolveu forte vínculo com seu fundador, Pe. José Kentenich. A partir de 1950, impulsionado pelo fervor mariano do Ano Santo, Pozzobon iniciou a visita da imagem da Mãe Três Vezes Admirável às famílias, rezando com elas o terço e promovendo intensa atividade pastoral e catequética.

Sua dedicação foi incansável: percorreu mais de 140 mil quilômetros com a imagem original, alcançando escolas, hospitais, presídios e lares. O crescimento da Campanha levou à criação de réplicas menores da imagem, que hoje peregrinam por mais de 90 países.

 

 

Ordenado diácono permanente em 1972, João Pozzobon viveu profundamente unido ao Santuário de Schoenstatt, sustentado pela Aliança de Amor e por uma intensa vida de oração — chegando a rezar até quinze rosários por dia. Em 1979, levou a imagem original à Europa, sendo esta abençoada pelo Papa João Paulo II.

Faleceu em 27 de junho de 1985, atropelado a caminho da Santa Missa. Seu processo de beatificação foi iniciado em 1994 e atualmente segue em curso em Roma.

 

José Engling

Ideal Pessoal: “Ser tudo para todos e propriedade especial de Maria”
Nascimento: 05/01/1898
Falecimento: 04/10/1918

 

José Engling nasceu em 5 de janeiro de 1898. De origem camponesa e aparência exterior pouco destacada, era, no entanto, portador de uma profunda grandeza interior. “Um jovem camponês, de figura exterior pouco atraente”, como o descreveram, foi alguém que “possuiu todos os motivos para ficar na sombra”. No entanto, a consciência da própria vocação à santidade o impulsionou a uma vida de luta incansável, marcada por uma perseverança heroica.

Foi seminarista da Sociedade do Apostolado Católico (Palotinos) e aluno direto do Pe. José Kentenich. Embora não estivesse presente na fundação oficial de Schoenstatt, em 18 de outubro de 1914, por ter retornado das férias alguns dias depois, tornou-se um dos primeiros e mais profundos intérpretes da Aliança de Amor com Maria. Segundo o próprio Fundador, “Engling foi o Documento de Fundação vivido!”.

No campo de batalha da Primeira Guerra Mundial, José deu testemunho eloquente de como a santidade pode ser vivida mesmo em meio às maiores adversidades. Continuou fiel à sua Aliança, oferecendo sacrifícios diários ao Capital de Graças, com o ideal de ser “tudo para todos” e “propriedade especial de Maria”.

É também de José Engling que nasce a tradição das “Flores de Maio”, os pequenos sacrifícios e renúncias espirituais ofertados à Mãe de Deus, prática muito cultivada no Movimento de Schoenstatt.

Ele morreu heroicamente em Cambrai, na França, no dia 4 de outubro de 1918, poucos dias antes do fim da guerra. Seu túmulo está no local onde tombou, junto ao Santuário da Unidade, símbolo de reconciliação entre os povos. Seu processo de canonização encontra-se atualmente na Congregação para a Causa dos Santos, em Roma.

Ao longo de sua breve, mas intensa vida, José deixou escritos que revelam sua entrega total:

 
 

“A imagem sublime da Mãe está agora vivamente diante dos meus olhos. Uma só coisa deve nortear a minha vida: Tudo por ti, querida Mãezinha.”

“Mãe, nenhum sacrifício quero considerar por demais pesado. Quando se trata de tua honra, não quero recusar nem o mais duro sacrifício. Mãe, dá-me força para me conservar fiel a esse propósito.”

“Cinco vezes ao dia – duas de manhã e três à tarde – quero lembrar-me que um filho de Maria não deve andar triste e me esforçarei para estar alegre.”

“Chamaste-me a ser teu vassalo. Quero esforçar-me por aproximar todos de ti.”

“A ti, consagro tudo o que sou e tenho: meu corpo e minha alma com todas as suas faculdades, meus bens e haveres, minha liberdade e minha vontade. Sou teu, inteiramente, sem reservas!”

O Pe. Kentenich frequentemente lançava a pergunta que continua ecoando entre os membros da Obra: “Quem será o José Engling de hoje?”

Juarez Martins Hoppe

Juarez Martins Hoppe
Ideal Pessoal: “Sim, Pai, com alegria!”
Nascimento: 19/07/1947
Falecimento: 05/01/2006

 

Juarez Hoppe viveu como um homem inteiramente entregue à Divina Providência. Casado com Tecla por trinta anos, pai de cinco filhos, construiu uma família profundamente alicerçada na fé, onde a Aliança de Amor com a Mãe de Deus não era apenas uma devoção, mas o eixo de toda a sua vida pessoal, familiar e apostólica.

Desde que conheceu Schoenstatt, em 1979, ele e Tecla decidiram viver para a missão. Instituíram seu Santuário-lar como “Santuário da Eterna Gratidão” e selaram sua consagração total como casal da União de Famílias. Foram instrumentos ativos de Maria em sua paróquia, onde plantaram um Santuário Paroquial e motivaram muitas outras famílias a também viverem sua fé de forma mais profunda. Tudo o que faziam era com entusiasmo, alegria e disposição total. Para Juarez, não existia meia medida: ou se doava por inteiro, ou não se sentia fiel à missão.

Sua frase constante era: “Sim, Pai, com alegria!” — e essa entrega total foi especialmente visível nos últimos meses de sua vida. Diagnosticado com leucemia em 2005, enfrentou meses de hospital, sessões longas de quimioterapia e dores intensas. Mas nunca reclamou. Sua atitude era sempre a de um filho confiante, que sabia estar nas mãos da Mãe:

“Entreguei-me totalmente à Mãe de Deus. Estou inteiramente à sua disposição! Não peço nada à Mãe de Deus. Apenas lhe digo: Tu tens que me sustentar porque sozinho não aguento!”

 

 

Para ele, a fé era concreta, vivida no cotidiano, nas alegrias da missão e nos sofrimentos mais profundos. Repetia constantemente que só conseguia suportar aquele tempo de dor por causa da sua consagração e da Inscriptio — a entrega radical a Deus por meio de Maria.

Juarez se via como um filho 100% dependente de Maria. Sua vida inteira foi um caminho de entrega crescente, até o último suspiro. E é assim que ele permanece no coração de sua família e da Família de Schoenstatt: como um homem que soube dizer “sim” com alegria, mesmo na cruz.

Maria Regina Tokano

Ideal Pessoal: Amar pelo servir em prontidão filial

Data de Nascimento: 12/02/1943

Data de falecimento: 05/07/1966

Maria Regina Sakura Tokano, conhecida como Regininha, nasceu em 12 de fevereiro de 1943 em Jataizinho/PR, descendente de uma família japonesa. Desde jovem, destacou-se pela sensibilidade, alegria serena e uma profunda capacidade de perceber os sentimentos alheios, vivendo um ideal marcado pela serviçalidade, que ela mesma definiu como “Amar pelo servir em prontidão filial”.

Aos 17 anos, ao cursar História em Londrina/PR, integrou-se intensamente à Juventude Feminina de Schoenstatt, selando sua Aliança de Amor em 1961 e, em 1963, fazendo a consagração da Carta Branca. Regininha viveu com um amor profundo pelo Pai Celestial e pela “Mãezinha”, sentindo-se chamada à vida consagrada, embora seu chamado tenha sido interrompido precocemente quando Deus a chamou para si em 5 de julho de 1966.

Sua fé e doação transpareciam em cada gesto e pensamento, como revelam suas palavras no diário: “Quero ser sempre pequenina… para estar sempre juntinho da Mãezinha e do Pai Celestial… Quero ser Santa… Deus é perfeito, por isso devo ser perfeita… Dá-me tornar vivência aquilo que me ensinas através de Schoenstatt!” e “Ou tudo ou nada, como para mim não existe o nada, sobra-me o tudo…”

 

Mesmo com a breve passagem pela vida, Regininha deixou uma marca profunda e duradoura. Em Uraí, onde lecionava, há um memorial e uma capela dedicada à Mãe de Deus, testemunhos do carinho e da influência apostólica que irradiou no meio onde atuou, semente de fé e amor que floresce para a glória de Deus e o louvor de Maria.

Mario Hiriart

Ideal Pessoal: Como Maria – Cálice Vivo – portador eterno da mensagem de Cristo

Data de Nascimento: 23/07/1931

Data de Falecimento: 15/07/1964

 

Mario Hiriart nasceu em 23 de julho de 1931, em Santiago, Chile. Desde jovem, seu compromisso com a fé e a ação apostólica foi intenso — atuou como tesoureiro da Ação Católica e, em 1946, conheceu o Movimento Apostólico de Schoenstatt através do Pe. Benito Schneider. Em 1947, encontrou pessoalmente o Pe. José Kentenich e logo ingressou na Juventude Masculina de Schoenstatt. Formou-se engenheiro com apenas 22 anos, destacando-se também como professor de Geometria Analítica na Universidade Católica de Santiago.

Mario viveu com uma entrega profunda ao ideal de Schoenstatt, sendo conhecido como o “31 de maio vivido” — uma expressão que resume seu modo de viver, pensar e amar de forma orgânica e integrada à missão. Em 1957, iniciou seu noviciado e se tornou o primeiro Irmão de Maria da América Latina, assumindo com humildade e disciplina essa vocação de serviço.

Em 1964, foi surpreendido por um câncer irreversível, que enfrentou oferecendo sua vida à Mãe de Deus, suplicando pela volta do Pe. Kentenich, então exilado. Faleceu em 15 de julho de 1964, em Michigan, EUA, deixando um legado de fé e entrega total a Deus. Em 2020, foi declarado Venerável, precisando ainda de um milagre para ser beatificado.

 
 
 

Mario expressava sua espiritualidade com simplicidade e confiança: “Nossa vida é simples. Do Pai viemos e ao Pai voltaremos”. Em suas orações, revelava uma relação íntima com Maria, confiando-lhe sua fragilidade e buscando nela abrigo seguro. O Pe. Kentenich ressaltou sua humanidade, inteligência clara, comprometimento e fé total, afirmando que “Ele encarnou o ideal a que todos nós aspiramos”.

Mario Hiriart permanece como inspiração viva, um “cálice vivo” portador da mensagem de Cristo, modelo de entrega e serviço à Igreja e à missão de Schoenstatt.

Max Brunner

Ideal Pessoal: Ave Imperatrix, morituri te salutant

Ano de Nascimento: 1897

Data de Falecimento: 23/04/1917

“Salve Imperatriz, os que estão prontos a morrer por ti, te saúdam!” Tais palavras pronunciadas em hora de extremo perigo de vida, nos revelam uma fresta da grandeza de alma desse jovem herói.

Max Brunner (1897-1917) nasce ao sudoeste da região da Baviera, na Alemanha, e ingressa na casa de formação dos Padres Palotinos, em Schoenstatt, no ano de 1911.

No começo, não se entusiasma com as iniciativas do Movimento Apostólico de Schoenstatt, que nascia e florescia, arrebatando o entusiasmo de muitos jovens. Mesmo assim, no ano de 1914 adere à Congregação Mariana, como membro, e passa a ocupar um papel de liderança, especialmente na seção de Missões.

A Aliança de Amor opera maravilhas em seu coração e, sob a orientação do Pe. José Kentenich, Max Brunner descobre ideais elevados e sente-se impulsionado a dar a sua vida pela causa de Deus. Dele vem a expressão “Ave, Imperatrix, morituri te salutant” (“Salve, Imperatriz, os que estão prontos para morrer te saúdam”), que muitas vezes o Pe. Kentenich cita para referir-se à atitude abnegada e festiva dos primeiros congregados heróis, com relação à entrega de suas vidas pela causa de Schoenstatt, se preciso fosse.

Em março de 1916, o jovem Max Brunner é realmente chamado para alistar-se como soldado na Primeira Guerra Mundial. Depois do seu tempo de formação como soldado, em novembro de 1916 – em Andernach, na Alemanha – é enviado para a frente de batalha. Em 23 de abril de 1917, morre na luta, em Arras, França.

 

 

Em agosto de 1934, são encontrados seus restos mortais e os seminaristas e Juventude Masculina da época fazem o transladado para o monumento dos heróis, junto aos de Hans Wormer – outro herói de Schoenstatt.

Max Brunner é uma das primeiras Cruzes Negras* enterradas à sombra do Santuário Original em Schoenstatt. Sua vida doada inteiramente na Aliança de Amor continua a entusiasmar outras vidas e mostrar que vale a pena viver e morrer por um grande ideal

“A uma Rainha não podemos negar nada, Ela tem poder sobre mim, pode dispor de mim”, Max Brunner.

“Ave Imperatrix, morituri te salutant”. É uma expressão de total disponibilidade, de querer até dar a vida por Maria, em defendê-la e fazê-la reinar. Coroá-la significou deixar-se utilizar incondicionalmente por ela, segundo seus interesses.

 

Pe. Francisco Reinisch

Ideal Pessoal: Viver e morrer como ardoroso Apóstolo de Schoenstatt

Data de Nascimento: 01/02/1903

Data de Falecimento: 21/08/1942

 

Pe. Franz Reinisch nasceu em 1º de fevereiro de 1903, em Feldkirch, Áustria. Desde jovem, destacou-se por sua alegria, talento para as artes e sensibilidade espiritual. Inicialmente estudante de Direito, direcionou sua vida ao sacerdócio, sendo ordenado padre em 1928 e ingressando na Sociedade dos Padres Palotinos em 1930.

Em 1933, conheceu o Movimento de Schoenstatt, que despertou nele um profundo ideal apostólico: “Finalmente encontrei o que há tempo procurava”. Esse encontro marcou sua vida, dando-lhe um novo rumo e sentido para seu ministério.

Atuou intensamente na formação de grupos de Schoenstatt e na defesa da fé, mesmo em meio à repressão do regime nazista, que o considerava uma ameaça. Em 1940, foi proibido pela Gestapo de pregar, mas continuou seu apostolado clandestino, traduzindo discursos do Papa e animando os fiéis a resistir.

Em 1941, recebeu convocação para prestar juramento ao exército nazista, algo que recusou firmemente: “Prestar juramento à bandeira nacional-socialista é prestar juramento a Hitler. É prestar juramento a um criminoso”. Sua coragem custou-lhe a vida.

Durante o processo judicial, escreveu na prisão “Mistério do Amor Crucificado”, um presente espiritual à Mãe de Deus, e compôs um poema onde se oferecia como vítima de amor a Maria, com as palavras finais: “E ao morrer quero dizer sorrindo: Ó querida MTA!”.

 
 

Pe. Franz Reinisch foi decapitado em 21 de agosto de 1942, em Berlim, tornando-se Mártir da Consciência por sua recusa a jurar fidelidade ao regime nazista. Seus restos mortais foram transferidos em 1946 para o Santuário Original de Schoenstatt, junto aos primeiros heróis do movimento.

Seu lema:
“Nossa fé em Cristo e Maria permanece inabalável como as montanhas da pátria.”

Sua vida é exemplo de fé inabalável e coragem diante da tirania, vivendo e morrendo como ardoroso apóstolo de Schoenstatt.

 
 

Pe. Máximo Trevisan

Ideal Pessoal: Vítima Perfeita do Pai e da Mãe
Data de Nascimento: 20/10/1911
Data de Falecimento: 13/12/1959

 

Máximo Trevisan foi o mais novo dos 11 filhos de uma família italiana, católica e praticante, que gerou três sacerdotes e três religiosas. Ingressou no Seminário Diocesano de Santa Maria/RS e, em 1924, escolheu a comunidade dos Padres Palotinos. Estudou Filosofia e Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, onde tomou contato com o Movimento Apostólico de Schoenstatt. Em 1933, visitou Schoenstatt e demonstrou entusiasmo pela Capelinha, escrevendo: “Que bom seria, se em nosso seminário de Vale Vêneto também houvesse uma Capelinha como esta de Schoenstatt”.

Ordenado sacerdote em 4 de julho de 1937, dedicou-se a formar Schoenstatt no Brasil, contando com o apoio das Irmãs de Maria. Recebeu do Pe. José Kentenich a missão pioneira de estabelecer a Obra na América Latina: “Você pode crer que Deus o convocou, junto com sua província, a prestar um serviço pioneiro à Obra de Schoenstatt na América Latina e quem sabe muito mais, para toda a sociedade”.

Mesmo diante de perseguições e isolamento após o exílio do Fundador, permaneceu fiel e dedicado, sendo considerado por Kentenich como “quem tem as ideias mais claras sobre Schoenstatt” fora da Alemanha. Como professor e diretor espiritual, influenciou muitos jovens, inspirando-os a viver os ideais do Movimento.

 

 

 

Ele mesmo afirmava: “Devemos estar atentos para dar a vida pela Obra, este é o nosso orgulho, nossa satisfação, tudo pelo triunfo da MTA”.

Faleceu em 13 de dezembro de 1959 em Santa Maria, junto ao Santuário Tabor. Seus restos mortais estão no Santuário Unidade dos Corações no Pai, em São Paulo.